Sensacionalismo

Psicanálise e Sensacionalismo

O cinema sabe utilizar esses recursos psicanalíticos para atrair o público e atuar como função terapêutica. Há produções cinematográficas, em que o protagonista é apenas superego, ou apenas id, interagindo com egos, que representam quase sempre a perspectiva do (a) espectador (a).

O filme “Instinto Selvagem” (Basic Instinct), de 1992, tem uma protagonista, vivida pela atriz Sharon Stone, que é uma representação do id. A personagem é homicida, usuária de drogas, bissexual, transgressora. Id em período integral.

“Robocop” é o pólo oposto. Trata-se de um superego blindado, com traços de ego (lembranças remotas e quase inconscientes da mulher e do filho). Robocop é implacável na punição aos ids transgressores (assassinos, estupradores, bandidos). É um esquadrão da morte, com poder contínuo de fogo. Ele tem a função de tranqüilizar o público (egos que vivem em grandes centros e estão sempre à espera de um criminoso eventual).

Ambos os filmes (“Robocop” e “Instinto Selvagem”) foram dirigidos por Paul Verhoeven.

Uma produção mais recente, “Onde os Fracos Não Tem Vez”, é outro exemplo de um personagem id. Trata-se de um assassino serial, que não vai à feira, não trabalha, não assiste TV. Ele apenas mata outros personagens. É perseguido por um superego (um xerife em período pré-aposentadoria) e caça, por sua vez, um ego (um veterano da Guerra do Vietnã, com mulher apavorada e sogra em estado terminal).

Filmes ancorados em superegos acessórios ou ids personificados geralmente fazem sucesso e resultam em premiação garantida. "Onde os Fracos Não Tem Vez" ganhou o Oscar de melhor filme, em 2008, e deu a Javier Bardem, que interpreta o "serial killer", o Oscar de ator coadjuvante.

O filme "Tropa de Elite", sucesso do cinema brasileiro, vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim (2008), reproduz os mesmos mecanismos de produtos originários de Hollywood.

Veja como funciona: o capitão da suposta tropa de elite da Polícia Militar representa o superego punitivo. É ele quem vai destruir a ameaça que o traficante (id) representa para a sociedade.

O capitão é ego apenas em alguns momentos do filme (ele segura um nenê, discute com a esposa, sofre). Depois, afasta-se dessa perspectiva de ego e torna-se "blindado", forte, indestrutível, porque é assim que o ego "vê" o superego. O capitão Nascimento é o Robocop em versão verde-amarela. Os dois são iguais e têm a mesma função: sufocar a ameaça representada pelo id.


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